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Bonito por Natureza - Revista Próxima Viagem Nº 29

Você pensou em férias ao ar livre, com emoção pra valer? Então mergulhe fundo nas águas e grutas de Bonito

Equipado com snorkel, colete salva-vidas e uma vistosa roupa de neoprene, Murilo, 9 anos, não via a hora de mergulhar na nascente conhecida como Baía Bonita. Quando chegou a sua vez, o garoto deixou-se flutuar mansamente naquele aquário."Lindo, lindo, lindo!", repetia Murilo, assim que voltou à tona, tentando definir o que é ficar cara a cara com tantos dourados, piraputangas, piaus e cascudos. Essa cena não aconteceu em nenhum parque aquático da Disney ou de Cancún, mas num riacho de verdade de uma cidadezinha de 18000 habitantes, a três horas de carro de Campo Grande, que até alguns anos atrás mal aparecia no mapa.

Bonito, fica no sudoeste de Mato Grosso do Sul, numa região tomada por pastos e plantações de soja, nas vizinhanças do Pantanal e do Paraguai. Não há águas tão límpidas e transparentes como as das nascentes de Bonito que brotam de rochas calcáreas, brancas como leite Até trinta anos atrás, os aquários naturais de Bonito serviam apenas para o deleite de pescadores e alguns amantes de caça submarina. Os poucos visitantes que se arriscavam a atolar o carro para chegar a cidade vinham por causa da Gruta do lago Azul No final dos anos 70 a Gruta foi tombada pelo Patrimônio Histórico e surgiram os primeiros guias para orientar os forasteiros.
A partir daí o movimento de visitantes não parou mais e Bonito virou a capital brasileira do turismo na natureza. " Todos perceberam que a vocação da cidade é o turismo e estão investindo no que podem., comenta Eduardo Coelho, que transformou a Fazenda do Rio da Prata, onde só criava gado, num dos passeios mais procurados da região.

Com a estrutura que criou, uma centena de pessoas pode por dia desfrutar do mergulho na nascente do Rio da Prata, que fica em sua propriedade. De quebra, ajudou o sitiante vizinho, em cujo terreno fica uma enorme cratera, do tamanho de um quarteirão e com 120 metros de profundidade a construir dois mirantes, cercar o abismo e apregoar o balé de araras e morcegos que acontece ali ao pôr do sol. Mas a implantação de um novo passeio em Bonito não depende apenas da disposição dos donos das terras, precisa das bênçãos do Ibama e de outros orgãos municipais e estaduais. Levar um simples tripé para fazer fotos dentro da gruta exige aprovação prévia das autoridades e pode levar semanas. Já o rapel no Abismo Anhumas, chegou a ser proibido pelas entidades ambientais, mas continua até hoje por força de liminares.

Como se trata de uma experiência radical, a descida no Anhumas só pode ser feita por oito pessoas por dia , que passam por um rigoroso teste de aptidão na véspera. O Anhumas não é para todo mundo, mas se você puder não perca a oportunidade. No fundo do abismo há um lago cristalino enfeitado de magníficas formações rochosas, um cenário que até hoje só foi compartilhado até hoje por algumas centenas de pessoas privilegiadas.

PASSEIOS
Os que você não pode perder:
Flutuação na Baía Bonita, R$ 78 (opção: o mesmo passeio no Rio Sucuri, R$ 59); visita à Gruta do Lago Azul, R$ 10 (tente ir entre 8 e 9 da manhã, quando a caverna é mais iluminada); caminhada e mergulho no Rio da Prata, R$ 66 com almoço; batismo de mergulho autônomo no Rio Formoso, R$ 85; cachoeiras da Fazenda Mimosa, R$ 37, com almoço (opções: cachoeiras do Rio do Peixe, R$ 35, e Fazenda Ceita Corê, R$ 32).

Os que exigem certo espírito de aventura:
Rapel no Abismo Anhumas, R$ 180 (ou R$ 280, com mergulho autônomo); mergulho na Gruta do Mimoso, R$ 100 (opção: mergulho na Lagoa Misteriosa, R$ 85); Serraventura (rampas de vôo de paraglider e asa-delta, trilhas de mountain bike e rapel, a 72 km de Bonito).

Os só divertidos:
Passeio de bote nos rios Formoso ou da Prata, R$ 25; bóia-cross no Rio Formosinho, R$ 20; passeio de quadriciclo em trilha de lama, R$ 60.

 
 

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