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Rio da Prata na Revista Terra da Gente Fev/2007

Surgir e ressurgir
Texto e fotos Liana John

Um flagrante do precioso ciclo das águas em meio às transparências de Bonito.

       Antes de ser nascente, a água se vê repartida em milhões de gotas dispersas no solo, chuva caída e absorvida, sempre permeando texturas, sempre buscando caminhos por meio de pequenos túneis e buracos, por entre pedrinhas ou rochas, por entre folhas e falhas geológicas, onde quer que se veja livre das raízes já encharcadas, da sede já saciada, para sobrar e escapar e encontrar outras gotas impulsionadas pela gravidade. Longe do alcance do nosso olhar, a água se reúne e engrossa a ponto de formar reservas subterrâneas ou ganha força para brotar do chão. E então atinge o status de fonte, manancial, mina de impagável riqueza que garante a vida na Terra.
        Ao ser alimentada com constância, a nascente se instala de forma permanente, captando outras águas em seu curso, agora na superfície do solo. Desce barrancos ou encostas e sai despejando riachos ou faz curvas de espera nas planuras até ganhar corpo e então formar lagoas. E se a fonte original se aninha em berços de areia - quando e onde a transparência das águas o permite - é possível assistir ao intermitente pulsar das águas emergentes em "bolhas" que "fervem". Assim é a nascente do Rio da Prata, em Bonito, Mato Grosso do Sul, com toda justiça transformada em atração turística de fama internacional, assim como as nascentes do Rio Perdido e outros cursos d’água da Serra da Bodoquena.
     Esses rios correm sobre rochas calcárias formadas há coisa de 500 milhões de anos - ou mais - quando ali existia o Mar de Corumbá. Conchas e restos de corais, comprimidos e moldados pelo tempo, originaram tais rochas, cuja característica mais marcante é garantir a transparência das águas que sobre ela - ou em seu seio -escorrem. Também as numerosas falhas são "marca registrada" dessas rochas que, eventualmente, "engolem" as águas superficiais para "cuspirem-nas" adiante, em pequenos saltos, cachoeiras ou como "vulcões" de areia no fundo dos rios, como são apelidadas as ressurgências.
       De toda forma, seja carregado da importância que a água tem para todas as formas de vida seja como mera curiosidade, o espetáculo das surgências e ressurgências bem vale a viagem!

 
 

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