A questão do aquecimento global foi bastante discutida neste ano. A publicação, em outubro, do relatório Stern, elaborado pelo governo inglês, e a realização da principal Conferência Ambiental do mundo, a 12ª. Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-12), em Nairobi, no mês de novembro, acirraram especialmente os debates, disseminando na mídia informações quanto aos efeitos catastróficos deste fenômeno.
O relatório Stern evidenciou que, se não for controlado, o aquecimento global vai devastar a economia mundial. De acordo com dados do relatório, o custo final de uma mudança climática descontrolada pode ficar entre 5% e 20% do PIB mundial a cada ano. Ainda que o relatório confirme o aquecimento global e proponha o crescimento sustentável, ele contrasta com a postura do governo americano frente ao problema, por exemplo, visto que os Estados Unidos continuaram fora do tratado de Kyoto.
Outro relatório, divulgado às vésperas da COP-12, apontou que a África vai enfrentar uma grande catástrofe se os países ricos não atuarem o mais rápido possível para reduzir os efeitos do aquecimento global no planeta. A África é o continente mais vulnerável à mudança climática e, segundo previsões de cientistas, em muitas partes do território africano o aumento da temperatura vai ser o dobro que o da média global.
Não é apenas na África, entretanto, que o aquecimento gera impactos. Conforme o “Atlas da Mudança Climática”, elaborado pelo Instituto Ambiental de Estocolmo com o apoio do Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente), diversos locais declarados Patrimônios da Humanidade podem estar ameaçados pelas conseqüências da mudança climática. Na Espanha, o relatório indica que já foram perdidas cem espécies de plantas no último século. No Peru, o derretimento acelerado das geleiras pode causar a ruptura de lagos glaciais e ameaça o parque Chavín de Huantar, que abriga tesouros pré-incas. Na Tailândia, as inundações já danificaram ruínas com 600 anos de Antigüidade e 12 mil sítios arqueológicos da Escócia estão vulneráveis à erosão e ao aumento do nível do mar.
Além disso, o lago de água salgada mais elevado do mundo, no Tibet, expandiu-se mais de 3% nas últimas décadas e, de acordo com os cálculos mais pessimistas dos cientistas, 64% das geleiras chinesas vão derreter até 2050.
A FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – apontou, no mês de novembro, que a mudança climática põe em risco a alimentação de humanos, já que ela gera impacto sobre a agricultura, a silvicultura e a pesca. Assim, torna-se mais difícil o desafio de alimentar a crescente população mundial. A Organização ressalta que a bioenergia tem um papel importante na adaptação a essa mudança climática.
Fonte: Ambiente Brasil