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Ecologia da comunidade de pequenos mamíferos da floresta estacional aluvial da RPPN Cabeceira do Prata, região da Serra da Bodoquena MS Brasil.

A fauna de pequenos mamíferos do Brasil Central só começou a ser melhor
conhecida na década de 1980, com estudos em áreas do Cerrado e, em menor escala, no Pantanal.

As formações florestais destas regiões (florestas de galeria) foram estudadas na porção norte do Cerrado, mas não há estudos sobre a fauna das florestas deciduais e semideciduais do interior do Brasil.

Essas formações florestais representam corredores de dispersão para a mastofauna da Amazônia e da Mata Atlântica dentro do Cerrado e têm características únicas, resultantes da convergência de elementos dos diferentes biomas adjacentes.

Neste contexto, o presente estudo descreve a comunidade de pequenos mamíferos não-voadores de uma área de floresta estacional aluvial na Serra da Bodoquena, Estado do Mato Grosso do Sul, com relação à composição de espécies, aos padrões populacionais das espécies mais abundantes e ao uso do ambiente.

Foi utilizada a técnica de captura-marcação-recaptura, com um esforço amostral de 6345 armadilhas X noites, entre março e agosto de 2006. O sucesso de captura foi de 10,7%, com 676 capturas de 190 indivíduos, representantes de nove espécies, três de marsupiais e seis de roedores. A comunidade apresentou variações sazonais com relação à composição e abundância das espécies. Rhipidomys sp.nova, Hylaeamys megacephalus e Gracilinanus agilis foram as espécies dominantes e as únicas registradas em todos os meses de estudo.

A população de G. agilis apresentou flutuação marcadamente sazonal, com uma alta taxa de recrutamento concentrada em abril. Gracilinanus agilis e Rhipidomys sp.n. apresentaram padrões semelhantes, com o maior tamanho populacional no início estação seca. Já a população de H. megacephalus, apresentou o maior tamanho no final da estação chuvosa. Com relação à utilização do espaço vertical da floresta, G. agilis foi capturado primariamente no subbosque, assim como Rhipidomys sp.n.

Estas duas espécies também utilizaram o espaço horizontal de forma semelhante, concentrando-se nas mesmas porções da área de estudo.

Por outro lado, H. megacephalus apresentou hábito primariamente terreste e a maior área de vida média, estimada pelo mínimo polígono convexo. Não houve uso diferencial do espaço entre machos e fêmeas com relação à utilização dos estratos ou ao tamanho da área de vida em nenhuma das espécies.

Os padrões encontrados retratam uma fauna abundante, rica em espécies, que sofre alterações sazonais. Suas características permitem associá-la a outras formações florestais do bioma Cerrado.

PALAVRAS-CHAVE: pequenos mamíferos, estrutura de comunidade, dinâmica
populacional, área de vida, uso do espaço, Serra da Bodoquena.

Vide download completo da disertação de mestrado de Marja Milano

 
 

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