Reproducao/Revista Adventure
Revista Adventure – Março 2003 – n. 45
Bonito – O prazer dos sentidos
É difícil entender como um país como o Brasil, talhado para os mais variados segmentos do turismo, ganhe tão pouco com essa atividade.
Bonito, cidade sul-matogrossense, vem se destacando não só como vedete do turismo no Brasil, mas como exemplo de ecoturismo a ser seguido, claro que levando em consideração as particularidades de cada região, mas fica registrado que a qualidade do turismo desenvolvido ali é rara de se encontrar em outras regiões do país.
É tudo muito bem organizado e a maioria dos passeios se encontra em propriedades particulares. Aliás, o COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) funciona como um órgão deliberativo, consultivo e de assessoramento, responsável pela conjunção entre o Poder Público e a sociedade civil. Esse órgão cumpre a função de fomentar o desenvolvimento ou a criação de condições para o incremento e desenvolvimento da atividade turística do município de Bonito.
Em Bonito, você respira o ecoturismo. Você percebe isso ao encontrar, nos passeios e nas ruas, gente de todas as partes do país e do estrangeiro, além do que, quase todas – senão todas – atividades da pequena área urbana de Bonito estão ligadas direta ou indiretamente ao turismo, o que mostra que o município segue ao encontro de pilares do turismo sustentável que são: ambientalmente adequado, economicamente viável e socialmente justo.
Todos os hotéis e pousadas possuem infra-estrutura muito boa e são capazes de agradar a todos os gostos. Outra coisa muito boa é perceber que ali você encontra atividades para fazer durante, pelo menos, vinte dias. Vale a pena.
As características básicas de Bonito são: nascentes de água cristalina; é uma das regiões de maior variedade de cavernas, com água ou sem; cachoeiras, inclusive, cachoeiras que crescem; passeios para todos os gostos e tudo isso num raio de 60 km onde o centro é acidade de Bonito.
O primeiro passeio que fiz foi na Estância Mimosa e logo que se chega ao receptivo se percebe que a fazenda manteve seu estilo original, apresentando-nos um pouco da peculiar cultura sul-matogrossense. A cozinha com fogão à lenha é cortada por uma bica d’água corrente para os afazeres domésticos, uma engenhoca curiosa e muito funcional. Do lado de fora, um lago que recebe a visita de inúmeras aves e que foi escolhido por dois jacarés como morada.
Depois que entregamos o “voucher e assinamos a lista de controle do pessoal, seguimos por uma trilha na mata ciliar do rio Mimoso. Nessa trilha, as árvores estão devidamente identificadas e o guia segue na frente apresentando e explicando as particularidades da trilha. No caminho, encontramos alguns animais e muitos macaquinhos e percebi que começava a entrar no clima do lugar. O cheiro da mata, os sons da mata, da água, o frescor, as cores em movimento... Que falta isso me faz!
Caminhamos até chegar em uma passarela de madeira, muito bem feita e que evita o alargamento da trilha com o tempo, que nos levou direto a uma plataforma de salto de 6 m ao lado da primeira cachoeira, e lá embaixo a água verde esmeralda era um convite ao salto. E não deu outra, saltei!
Você vai acompanhando o rio por uma trilha pela mata ciliar e outras cachoeiras vão surgindo, cada uma com seu encanto, prontas para serem desfrutadas.