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Biodiversidade mundial: Qual a atual situação e quais as estratégias para sua conservação?

Livro recém-lançado pela Conservation International e site trazem informações atualizadas sobre a perda de biodiversidade do planeta e as áreas prioritárias para conservação.

A discussão em torno das questões ambientais cada vez mais tem tomado as páginas dos jornais e revistas e os horários de rádio e televisão. Temas como aquecimento global, redução da emissão de gases estufa e impacto ambiental decorrente da construção de usinas hidrelétricas vêm ganhando espaço na mídia.

Mas, infelizmente, uma das questões pouco divulgadas é a perda da biodiversidade mundial e informações em torno desse tema. Basta visualizar uma imagem de satélite que não seja de regiões legalmente protegidas ou áreas remotas para perceber ambientes literalmente recortados por cidades, estradas, lavouras e pastagens.

Diante dessa realidade, as publicações científicas trazem, quase de forma unânime, a destruição e fragmentação dos biomas como a atual principal causa da perda de biodiversidade que, segundo estimativas, poderá alcançar a desastrosa marca de 40% neste século (Rylands, A. B., et al., 2004).

Apesar da falta de divulgação do tema pelas mídias mais populares, as informações encontram-se disponíveis para o público geral principalmente por meio da Internet. A fundação Conservation International publicou há pouco tempo o livro "Hotspots de Biodiversidade Revisados" e no seu site, onde divulga informações sobre a biodiversidade do planeta e áreas prioritárias para a conservação da mesma.

A seleção dessas áreas leva em consideração critérios como: Diversidade de espécies, endemismo e grau de ameaça do ecossistema (Myers, N., et al., 2000). As publicações identificam atualmente 34 "áreas-chave" para a conservação da biodiversidade mundial e é crescente o número de regiões que se enquadram dentro dos critérios.

Essas 34 áreas (em vermelho, no mapa) possuem menos de 25% de sua cobertura original, cerca de 75% das espécies em via de extinção e cobrem cerca de 2,3% da superfície da Terra (Originalmente cobriam 11,8%). Dois biomas brasileiros fazem parte desta listagem: A Mata Atlântica e o Cerrado (Conservation International, 2005).

Com relação aos biomas brasileiros, a Mata Atlântica possui atualmente cerca de 7,5% de área remanescente em relação a sua cobertura original. É um bioma que concentra esforços para sua conservação por altíssimo grau de endemismo de espécies, tanto vegetais quanto animais, e ameaças aos ecossistemas provenientes principalmente da agricultura, pecuária e exploração ilegal de madeira (Câmara, I. de G., 2003).

Desde o início da exploração do Pau-Brasil (Caesalpinia echinata) a partir de 1559, a Mata Atlântica brasileira vem sofrendo com a ação humana. Sucederam-se após as culturas de cana-de-açúcar, café e cacau outras formas de agricultura intensiva que levaram às queimadas generalizadas dos ambientes.

O Cerrado brasileiro evidencia uma situação pouco menos desastrosa que a Mata Atlântica, porém não menos preocupante. Sua área remanescente é 20% de sua cobertura original, mas, apenas 1,2% delas estão incluídas em áreas protegidas (Silva & Bates, 2002). Ocupa o 11º lugar entre os 34 "hotspots" com relação ao grau de ameaça e seu histórico de destruição agravou-se no século passado, com a abertura de novas fronteiras agrícolas e a forte vocação do bioma para se tornar pastagens.

Diante desses dados alarmantes fica a pergunta: Afinal, qual é a melhor estratégia para a conservação? Proteger grandes extensões da paisagem ou pequenas áreas-chave que concentram maior biodiversidade? A questão é muito mais complexa que se imagina e divide opiniões da comunidade científica.

Provavelmente uma mescla dos dois fatores, aliada ao investimento em pesquisa e educação, divulgação de informação e a criação de áreas protegidas dentro dos "hotspots" seja a solução mais plausível para salvar a mega-diversidade do nosso planeta.

Lucas Gonçalves da Silva é biólogo e pesquisador do Laboratório de Geoprocessamento da PUC-RS.

Fonte: EcoAgencia - Lucas Gonçalves da Silva

 
 

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